“E o mais belo triunfo da fraternidade não seja talvez amar somente a pessoa, mas a liberdade de seu próximo, e de encontrar na liberdade de todos, não uma negação e tampouco um limite, mas ao contrário, a confirmação e a extensão ao infinito da própria liberdade”
Bakunin
Dezembro 2, 2009
Obrigada por voltar.
Novembro 26, 2009
Por que eu almocei meu pai.
Porque eu almocei meu pai é a novela do período Pleistoceno, é a história detalhada da evolução, das pequenas descobertas, das grandes descobertas e dos costumes que estão até hoje presentes na nossa sociedade.
Ernest é o narrador dessa história, tudo é relatado com o seu olhar analítico e filosófico. Um incêndio na floresta é o motivo principal que irá dar início a um confronto ideológico com o seu pai, Edward. Este é um visionário, determinado a ser um fator importante na escala da evolução e possui o sentimento de responsabilidade por levar a sua espécie do Pleistoceno ao Homo Sapiens. Os irmãos de Ernest seguem as idéias do pai, dentre muitas a entrada no mundo da exogamia. Com esta, a horda realiza contato com outras hordas menos desenvolvidas, e Edward se sente obrigado a levar a sua tecnologia a essas hordas. Mas os seus filhos não concordam, pois tem medo do que possa ocorrer se essa tecnologia cair em mãos erradas. A partir desse confronto, desencadeia-se uma ação necessária para um fim trágico, porém necessário.
Roy Lewis exibe maestria ao escrever esse livro, pois ele é capaz de situar o leitor na África de dois milhões de anos atrás como se estivesse relatando uma história contemporânea. O livro contém uma leitura leve e divertida, e ao mesmo tempo instiga o pensamento científico no leitor, assim como Edward faz com a sua família. Lewis também reescreve a história do Genesis, e coloca Adão e Eva de lado para dar lugar aos nossos supostos descendentes, os macacos.
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Eu sinto que poderia ter ficado melhor ou MUITO melhor.
Outubro 29, 2009
Zéfiro
Os ventos daqui parecem que querem dizer algo, sussurram entre as fendas da janela. Realmente há algo que deve ser dito. Algo sobre mim, algo sobre nós. Hoje eu voltei aquela fita que mostrava o nosso último carnaval, os ventos daquele dia diziam que eu podia ser feliz, os ventos daquela cidade me diziam que eu podia ser feliz. Mas agora parece que tudo mudou. Mais uma vez.
As douze horas de sono não parecem suficientes quando não se quer mais levantar da cama, pode parecer ingratidão com a vida e com a tal da saúde, mas não há muita coisa que se possa fazer com elas nesse momento. Douze horas na cama. Durante o dia não há vento, só um bafo quente e sufocante, e quando chega o final da tarde o céu se tinge de rosa e laranja pra demonstrar certa felicidade. Teclas batendo, olhos vidrados na aparente vida melhor. No fundo eu não sinto mais nada, por ninguém e por nada. Essa é a triste verdade sobre mim, sobre nós, sobre o que eu sou, sobre o que eu fui e sobre o nada.
Se a perguntar foi se eu me sinto bem, a resposta é “não sei”. Divirtam-se.
Outubro 4, 2009
Bom selvagem.
Pergunto qual das duas – a vida civil ou a natural – é mais suscetível de tornar-se insuportável. À nossa volta vemos quase somente pessoas que lamentam de sua existência, inúmeras até que dela se privam assim que podem…Pergunto se algum dia se ouviu dizer que um selvagem em liberdade pensa em lamentar-se da vida e querer morrer. Que se julgue pois, com menos orgulho, de que lado está a verdadeira miséria. (1775/1987:251)
Rosseau.
Outubro 4, 2009
expresso.
eu vi tudo aqui dentro pegando fogo.
eu vi toda aquela estante de livros virando cinzas.
eu vi tudo dentro de mim virando brasa.
hoje não houve fênix, hoje não houve cinzas.
“um expresso, sem açucar”.
Setembro 25, 2009
palmas, palmas.
Um cheiro na barba e dá aqui um abraço. Pra quem quer saber mais e tá afiado no verbo to be toma.
Setembro 13, 2009
René véio de guerra.
Como se não bastasse os sistemas cartesianos e a geometria analítica durante o ensino médio, esse cara continua a sua perseguição implacável durante a faculdade. Garanto que seja qual curso for o seu lá está ele, firme e forte com aquela cara típica e um sorriso maroto no rosto.
Pra informar eu tô lendo as meditações de René Descartes, que até agora é uma viagem sem tamanho. Mas vale a pena, no final você tem vontade de negar tudo que existe a sua volta e começar a construir um mundo mais racional e real.
Então, senta que lá vem história.
Setembro 8, 2009
A agonia de Narciso.
Estava eu cá com os meus butões, pensando o quanto nós somos dependentes da imagem e por mais que desejamos não ser assim acabamos criando dentro de nós algo que não é verdadeiro. E, para essa coisa se tornar real é preciso que entre em contradição com outra coisa que não nos parece lá muito real. Por exemplo, temos dentro de nós imagens de nossos amigos. Sabemos que bem lá no fundo que eles não são capazes de nos chatear fazendo uma coisa que nem passa por nossa cabeça, mas um belo dia essa idéia nada real de maldade entra em contradição com a imagem que nós temos dos nossos amigos e tudo chega a um fim bem esperado, criando assim a história entre uma imagem, uma suposição e uma amizade que acaba se tornando um inimizade.
Deve ter sido assim que Narciso se sentiu ao se apaixonar por sua imagem, que na verdade era sua sentença de morte. Nós nos apaixonamos por imagens, sonhamos com imagens, andamos de mãos dadas com imagens, esperamos imagens que na verdade são nada mais, nada menos que nossa ruína, nossa decepção.
Não digo tudo isso com cunho amoroso, mas sim com cunho de amizade. Temos mais amigos do que amores, e por consequência perdemos mais amigos do que amores e blá blá blá. Já está bem tarde.
Agosto 31, 2009
Ela merece.
Essa semana, para ser precisa sei lá pra que, no dia qualquer da semana foi inaugurado em Buenos Aires uma estátua da personagem Mafalda, e foi o Quino quem tirou o lençol de cima da estátua durante o evento.
Sem sombra de dúvida é a minha tirinha preferida. Quando eu era criança sempre quis ser uma menina igual a Mafalda, não posso dizer que deu muito certo mas eu ainda tenho a cultura como a maior aquisição que um ser humano pode adquirir, é isso.
Pra fechar com chave de ouro o fim de semana, uma tirinha da Mafalda.
Agosto 30, 2009
Cotidiano de uma pomba.
Com o passar da semana fui encontrando respostas a questões elementares da minha vida nas minhas aulas na faculdade. Acho que é isso que eu procurava em um curso, leituras que dizem mais sobre os sentimentos que afligem todos os homens e que ao mesmo tempo mostram através de uma ciência modos de se alcançar um sistemas de coisas por meio de um método. Pura bobagem, eu sei. Mas isso foi importante pra mim, porque eu vejo o quanto eu amo o que eu faço.
Outra coisa que me acertou a cabeça é que quanto mais eu chegava perto de respostas mais distante eu ficava de mim mesma. Não como causa e efeito, e sim uma casualidade da vida. Certas atitudes não corresponderam com as minhas metas, com as minhas crenças e mais uma vez o momento me pressionou a tomar uma atitude que não era parte de mim. Arrependimento é para os fracos, não me arrependo. Apenas sinto por ter meus princípios jogados ao vento.
Por falar em coisas no vento, já faz mais de uma semana que não dou continuidade as minhas leituras. Troquei meus livros por panelas e sabão. É complicado ser uma dona de casa instruída
É o meu primeiro final de semana sozinha no apartamento. Quem anda me confortando é Hobbes “A vida do homem é solitária, pobre, sórdida, embrutecida e curta”, dou um beijo e assino embaixo.


